Cinco de setembro de 1968.
Naquele final do dia 04 de
setembro de 1968, terminava uma longa , cansativa e sofrida aula de
Genética e todos os estudantes de Biologia saiam às pressas em
busca do retorno aos seus lares. Em meio a todos eles, uma jovem com
os seus poucos anos de juventude, carregava sua barriga, bem grande
e pesada, em busca de pegar um ônibus que logo passaria por ali. Em
algum tempo de espera chegou o transporte que a levaria rumo a uma
pequena residência, nada que fosse aquilo que havia sonhado para a
sua vida de mulher casada e à espera de um filho que já amava desde
sempre. O ônibus estava lotado, cheio até a porta dos fundos por
onde entrou e não conseguiu passar, ali ficando por muito tempo com
o veículo já em movimento até que pudesse, com muito esforço e
dificuldade , chegar um pouco mais adiante para sair da região de
perigo. Aquele momento durou uma eternidade, pois o trânsito era
lento no final da tarde quando o relógio batia a hora do Ângelus.
Durante o trajeto, em meio a tantos pensamentos que lhe enchiam a
mente, procurou aos poucos passar entre tantos passageiros e chegar
até a porta da frente do veículo para que não passasse do ponto
onde deveria descer. Do ponto final até em casa uma boa caminhada
que as pernas finas reclamavam do cansaço do dia pesado de aulas. Ao
chegar a seu destino uma velha senhora lhe abriu a porta e exclamou:
_” Rosa!!! Está quase na
hora, você está bem?”
_ Não, me sinto muito
cansada e minha barriga doi.
_” melhor então colocar
uma bolsa de agua quente para relaxar.”
Não houve tempo, pois uma
grande quantidade de líquido quente lhe desceu pelas pernas molhando
o chão da sala. Dali em diante uma grande correria para chegar ao
hospital e esperar o seu rebento vir ao mundo. Não sabia ela, nem
podia imaginar , a noite que iria passar. Na sala de exames, um
entra e sai de médicos e enfermeiras, do SUS, que jamais diziam
quanto tempo iria durar aquela dor insuportável.
_ “sua sorte chegou, ele
vai entrar para o plantão, o Dr. Assis Valente, dê graças a Deus”
e saiu da sala. Dali em diante, quase não registrei mais nada pois
estava muito cansada daquela noite estranha que havia passado
sentindo apenas que as coisas não estavam tão bem e que muitas
manobras foram feitas por aquele competente médico para que meu
filho tão querido, amado e esperado viesse enfim ao mundo. Só
voltei a encontrar este homem que salvou a minha vida e a do meu
primeiro filho, muitos anos depois quando pude agradecer por ser ele
um homem tão ético responsável e competente, mesmo sendo tão
jovem como era naquele ano de 1968. Hoje, cinco de setembro de 2010,
quero desejar ao meu primeiro filho que hoje aniversaria, um mundo de
paz, satisfação pessoal e que ele seja sempre um homem justo,
honesto e solidário. Um grande abraço João Gualberto Rizzo Araújo
de sua mãe que te escolheu para ser seu filho e agradece a Deus por
ter permitido e viabilizado a sua escolha. FELIZ ANIVERSÁRIO TINO,
SEJA FELIZ HOJE E SEMPRE.
Salvador, 05 de setembro de
2010.
Antonieta Maria Rizzo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário