terça-feira, 7 de janeiro de 2014


Cinco de setembro de 1968.
Naquele final do dia 04 de setembro de 1968, terminava uma longa , cansativa e sofrida aula de Genética e todos os estudantes de Biologia saiam às pressas em busca do retorno aos seus lares. Em meio a todos eles, uma jovem com os seus poucos anos de juventude, carregava sua barriga, bem grande e pesada, em busca de pegar um ônibus que logo passaria por ali. Em algum tempo de espera chegou o transporte que a levaria rumo a uma pequena residência, nada que fosse aquilo que havia sonhado para a sua vida de mulher casada e à espera de um filho que já amava desde sempre. O ônibus estava lotado, cheio até a porta dos fundos por onde entrou e não conseguiu passar, ali ficando por muito tempo com o veículo já em movimento até que pudesse, com muito esforço e dificuldade , chegar um pouco mais adiante para sair da região de perigo. Aquele momento durou uma eternidade, pois o trânsito era lento no final da tarde quando o relógio batia a hora do Ângelus. Durante o trajeto, em meio a tantos pensamentos que lhe enchiam a mente, procurou aos poucos passar entre tantos passageiros e chegar até a porta da frente do veículo para que não passasse do ponto onde deveria descer. Do ponto final até em casa uma boa caminhada que as pernas finas reclamavam do cansaço do dia pesado de aulas. Ao chegar a seu destino uma velha senhora lhe abriu a porta e exclamou:

_” Rosa!!!  Está quase na hora, você está bem?”

_  Não, me sinto muito cansada e minha barriga doi.

_” melhor então colocar uma bolsa de agua quente para relaxar.”

Não houve tempo, pois uma grande quantidade de líquido quente lhe desceu pelas pernas molhando o chão da sala. Dali em diante uma grande correria para chegar ao hospital e esperar o seu rebento vir ao mundo. Não sabia ela, nem podia imaginar , a noite que iria passar. Na sala de exames, um entra e sai de médicos e enfermeiras, do SUS, que jamais diziam quanto tempo iria durar aquela dor insuportável.

_ “sua sorte chegou, ele vai entrar para o plantão, o Dr. Assis Valente, dê graças a Deus” e saiu da sala. Dali em diante, quase não registrei mais nada pois estava muito cansada daquela noite estranha que havia passado sentindo apenas que as coisas não estavam tão bem e que muitas manobras foram feitas por aquele competente médico para que meu filho tão querido, amado e esperado viesse enfim ao mundo. Só voltei a encontrar este homem que salvou a minha vida e a do meu primeiro filho, muitos anos depois quando pude agradecer por ser ele um homem tão ético responsável e competente, mesmo sendo tão jovem como era naquele ano de 1968. Hoje, cinco de setembro de 2010, quero desejar ao meu primeiro filho que hoje aniversaria, um mundo de paz, satisfação pessoal e que ele seja sempre um homem justo, honesto e solidário. Um grande abraço João Gualberto Rizzo Araújo de sua mãe que te escolheu para ser seu filho e agradece a Deus por ter permitido e viabilizado a sua escolha. FELIZ ANIVERSÁRIO TINO, SEJA FELIZ HOJE E SEMPRE.

Salvador, 05 de setembro de 2010.

Antonieta Maria Rizzo.

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