quarta-feira, 8 de abril de 2015


Poema primeiro



Estranha e irresistível esta atração

Que me faz vir e te levar sempre comigo

Que me transporta para um mundo mágico,

Irreal, irresistível das sensações, da

Incompreensível paixão de tudo e de você.

Gosto de te ouvir, de te ver,

Como uma miragem ou uma magia,

Cada vez mais próximo, inebriante, real.

Quero te sentir perto, mesmo ausente.

Na solidão de qualquer momento,

No desejo constante de te rever.

Quero-te assim: belo, mágico, quase irreal

Inesquecível miragem, paisagem.

E de tanto te ouvir, sentir, de te olhar assim,

Quero poder te juntar a mim em qualquer lugar.

 19/02/99


VOCÊ


Assim te vejo: como sonho, mas

Sonhos se vão, deixam a lembrança,

Como se pudéssemos viver o que queremos.

Quero te ouvir, porque ouvir é real.

Ouvi-lo cantar, o que me impede?

Quero poder levar tua voz, tua imagem,

Agarradas a mim,

Através desses muros, dessas estradas,

Que se põem entre nós,

Entre meu ser e o teu,

Todas as vezes que de lá saio,

Através da noite, por entre medos,

Até o espaço dessa solidão,

Que me traz você de novo,

Vivo, belo, inteiro,

Não só imagem, mas ser real,

Que posso tocar, ouvir, beijar.

Beijar-te sempre pelo bem que me faz,

Pela alegria que me dá,

Por me fazer sentir e querer viver,

Ouvir, falar, amar de novo.

PAIXÃO

Esta sua provocação me faz enlouquecer.

Transforma meu ser

E me faz buscar seu corpo ausente

Numa constancia perene.

Faz-me não dormir, não pensar,

Parar no tempo a te contemplar.

Revirando imagens que me acompanham

Quando não estás. E tu estás? Quando estás?

Teu corpo, só vejo distante,

Inalcançável bailando, cantando,

Aos sons que conduzem corpo e alma.

Que os faz juntar-se sòmente pela magia

Que emana desse momento de paz,

Dor e alegria, de felicidade até.

Para depois se desmanchar

Como se desmancham as nuvens, os sonhos...

Esta minha alma chora, o corpo estremece

Ao te sentir tão distante, ao te buscar na solidão.

E esperar sempre pelo momento

Em que novamente estarás presente corpo e alma,

Pelo poder da música que se espalha no ar,

Absorvida pelo corpo sofrido e novamente recomeçar...
 
 
ROSA 22/08/99








sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015




MEU PAI, DR.RIZZO


O tempo, este mesmo que nos ajuda a apagar as dores do sofrimento, que nos permite esquecer os momentos difíceis de um tempo distante, ele também retira de nós as lembranças felizes que gostaríamos de manter para sempre acesas em nossa mente. Ainda bem que podemos contar com com os fragmentos que talvez nunca se apaguem; que sigam conosco até o fim de nossa vida. Podemos também nos valer, em alguns instantes, das fotos guardadas, talvez esmaecidas, mas que nos permitem juntar pedaços e formar uma lembrança mais consistente. Estou dizendo tais palavras na tentativa de justificar, talvez para mim mesma, a descrição que passo a fazer agora. Não tenho muitos dados concretos, como disse, em algumas situações um papel amarelado pelo tempo e algumas palavras escritas. Uma receita de bolo, de pudim com calda de ameixa de D. Rafaella, minha madrinha. Uma prescrição de medicamento, um bloco de notas do consultório médico do Empório Industrial do Norte ou algumas fotos que selecionei e pensei em compor um grande álbum de recordações inestimáveis. Ele era um homem aparentemente calmo, sem muitas palavras. Gostava de ler e tinha sempre embaixo do travesseiro algum livro ou revista médica: Rassegna Médica, Ciências Físicas e Biológicas, Matemática. Sim, ele era assim mesmo, um polivalente. Não somente naquilo que lia, mas no que ensinava ou no que fazia. Alfabetizou os tres filhos e lhes ministrou todo o conteúdo do então Ensino Primário, até o curso de Admissão ao Ginásio. Dava aulas à noite para algumas crianças ou adolescentes, conhecidos do seu convívio no trabalho, no desempenho da profissão que exercia de médico que era. Em casa, sempre tinha algo a fazer: uma macarronada no domingo, quando ele mesmo fazia a massa do macarrão. Pintar as paredes da casa, consertar torneiras ou vazamentos, lixar e pintar os tacos do chão da casa que formavam desenhos geométricos em preto e amarelo claro. Preparava a madeira recortada, invernizava, para construir móveis: mesas, caixa para a vitrola e outros objetos mais. Era sempre assim que eu via meu pai: um homem de pijamas, de meias nos pés, com um leve sorriso no rosto. Movimenta-se do quarto em que dormia para o quarto onde guardava inúmeros objetos: Muitos livros, material de vidro de laboratório, pois tinha a intenção de abrir uma farmácia com um seu amigo que, pelo que pude entender com meus recursos de criança observadora, não lhe foi tão amigo assim. Mas naquele quarto, aquele misterioso e enorme quarto aos meus ollhos, eram guardadas receitas, fórmulas, balança de precisão (que ainda trago comigo) micróscópio, lâminas, lamínulas, tubos de ensaio aos montes, estantes com uma diversidade enorme de material com diferentes finalidades. Era ali também, naquele espaço, que escondia de mim as geringonças que eu gostava de fazer como por exemplo carrinho de rolimã, ganchos para conduzir uma roda de metal, brinquedo muito usado pelos meninos da rua em que morávamos. Sem contar com as inúmeras pipas (caxalebu) que eu mesma construia para elevar aos céus quando conseguia pular o muro, ganhar a rua e me confundir com os meninos que minha mãe chamava de "moleques" em tom pejorativo. Não era difícil encontrar meu pai, Dr. Rizzo, sempre com uma máquina fotográfica na mão. Registrava sempre os momentos especiais da nossa infancia, mas tampém momentos do nosso cotidiano. Ele gostava muito mesmo de fotografar e de filmar, pois tinha uma filmadora, 16 mm, para a qual estava sempre indo à "cidade" (comércio) para comprar peças ou mesmo filme. Nos acostumamos a ver nossas fotos sempre privilegiando locais agradáveis da casa, onde passávamos a maior parte do nosso tempo em família. Frequentemente à noite, mesmo durante os dias de semana, ele projetava filmes que ele mesmo produzia ou filmes de "Cawboy" que adqueria em lojas de material fotográfico. Sempre convidava algumas pessoas mais próximas, vizinhos, ou crianças da nossa idade e do nosso convívio, para nos acompanhar naquelas noites de cinema ao ar livre, quando não estava chovendo.

Também me acostumei a ouvir músicas italianas, ou valsas e música clássica (algumas selecionadas) dos discos 78 rotações que ele colecionava. Era sempre muito prazeiroso ouvir aquelas canções, em sua maior parte românticas (Vicente Celestino) e valsas Vienenses que ele gostava de ouvir. Meu pai foi realmente um homem muito especial mesmo, uma pessoa com uma certa expressão de silêncio na face, mas que realizava muitas coisas que somente pessoas de bem com a vida, muito criativas e competentes, poderiam fazer. Unia seu lado profissional e de pai com muita coerencia e dedicação, mas não demonstrava esforço ou cansaço, não pelo menos na fase de minha infância e nos primeiros anos de minha adolescencia.









Aqui estamos nós: eu, Antonieta, (Rosa) de saia branca, minha irmã Augusta de mãos dada comigo, meu pai entre nós duas, minha mãe D. Antonieta Rizzo ao lado do seu irmão Coriolano Aberto, e o filho de um amigo-irmão do meu pai, Olivaldo.

Meu pai gostava muito de usar apalavra 'sujeito' em lugar de individuo. Podemos então dizer: ele era um sujeito precavido, cauteloso, pensativo. Gostava de ficar momentos longos sozinho, absoto, como se estivesse bem longe dali, longe do lugar onde realmente estava. Com isso, provocava minha mãe que insistia em chamá-lo à realidade, sempre querendo solicitar-lhe uma tomada de posição, uma ação que o desafiasse, mesmo que fosse um simpçles afazer cotidiano, da cozinha, por exemplo. Ela sabia que ele apreciava bastante as comidas que ela fazia, então nesses momentos, sempre havia algum ingrediente a ser comprado, algo faltava na cozinha, e sempre disposto, Dr. Rizzo se preparava para sair um pouco mais cedo e ir até a Dispensa Pery onde fazia as encomendas, mandava levar em casa, e aproveitava para restabelecer alguma conversa com os espanhís da D.Pery. Lembro dos atendentes, Antonio, um espanhol bem bonito, de meia idade, que nunca esqueci. Tinha também o Pullens, não sei se assim se escreve, mas era filho do do dono da Pery queagora não me ocorre o nome, mais adiante, quando as lembranças estiverem mais vivas, direi seu nome, que de fato não esqueci. Então,falando na Pery, meu pai dispensava seus cuidados médicos a todos que ali trabalhavam desde o dono e sua família até o mais simples operário do estabelecimento. Tudo grátis, sem nenhum custo para os pacientes, aliás, paciente era o meu pai, que ouvia os longos relatos para depois prescrever os medicamentos certeiros, sem nenhum exame complementar, que na época era bastante difícil. Lembro-me que certa vez, meu pai fez um diagnóstico de primeira na filha mais velha do Sr. Appolinário Gonzalez (ele, o dono da Pery!) Ela estava com febre muito alta, muito debilitada e com outos sintomas. Estava com difteria, uma doença que se não cuidada de pronto leva a óbito. Meu pai não vacilou: dispensou seus cuidados médicos e salvou a moça! Neste ano, a cesta de Natal que nos era enviada todos os anos, quase um marco do Natal para nós, os filhos, veio bastante genenerosa, repleta de produtos importados da época natalina, para nossa alegria e deleite: nozes, amêndoas, ameixas, biscoitos finos, queijo tipo reino, pães de diferentes sabores e tantos iutros itens inesquecíveis. Sei que da cesta, eu adorava o pão de Natal, que tinha um sabor muito especial, repleto de passas e eu gostava de saboreá-lo junto com uma xícara de café com leite. Uma delícia! Dessa forma, minha mãe jamais ia ao armazém, tudo era comprado por Dr. Rizzo que muitas vezes me levava com ele. No caminho eu ouvia sempre de muitas pessoas que o cumprimentavam: 'olha filha de Dr. Rizzo! Como é bonita!' E era mesmo, uma garota de rosto muito privilegiado! Ele ficava muito feliz em dizer meu nome e reforçar que era sua filha. Olha eu vestida de Maria Antonieta na foto abaixo e com menos idade, sentada na gangorra, que meu pai instalara lá no quintal. Momentos bons os dos briquedos e brincadeiras no quintal. Um mundo à parte, decorado pelos vários objetos de nossas brincadeiras de criança, embaladas pelos sonhos e por nossa criatividade em construir espaços mágicos que nos absorvia durante muitas horas do dia. Mas, sonhos à parte, meu pai sempre nos trazia de volta à realidade e lembrava a Nieta, como ele chamava minha mãe, que estava na hora de estudar, cumprir tarefas ou tomar banho. Sempre era minha mãe que fazia as interferências diretas, quer para cumprimento de tarefas de estudo ou para nos fazer realizar outras atividades diárias. Ou seja, verdade seja dita, meu pai falava minha mãe cumpria. Meu pai cumpria horário ede trabalho no consultório: mas pelo que pude entender, ele não gostava de longos horários fora de casa, ali, no seu mundo particular vivia bem e feliz. É o que eu acho. Esta palavra, consultório, me lembra sempre o médico estudioso e cumpridor do seu trabalho. Na agenda diária de Dr. Rizzo Havia claramente um generos tempo a ser dedicado à família, a suas leituras, ao conserto de utilidades domésticas ou eletrônicos que aprentavam defeito. Ele abria o rádio por exemplo, e o dessecava, como se for um corpo de sua banca de estudo em medicina. Selecionava as peças defeituosas e em alguma tarde que fosse possível 'descia' à 'cidade' para comprar a peça e repor no aparelho. Um brinco, a perfeição do seu trabalho, pois o aparelho sempre voltava a funcionar! Quero deixar desde já aqui registrado, que fui uma criança feliz! Talvez, eu acho, que a minha infância valeu por toda minha vida, mesmo que não tenha frequentado a Escola formal até meus treze anos. Não é facil aceitar isso para mim até hoje: não ter ido à escola, mas que fui feliz isso fui. Se me perguntassem naquele momento sobre a possibilidade de começar a frequentar a escola, tenho certeza que não iria querer. Não precisava: brincava, estudava, aprendia a bordar, a costurar pequenas roupas para as bonecas, pregar um botão, fazer ponto de cruz. Tenho meu modelo em tecido próprio guardado até hoje e o último que elaborei foram duas grandes letras maiúsculas: JG. Depois é que vem os traumas: a precariedade na socialização, a necessidade do convívio com outas crianças e outras questões mais. Ainda pensando em como Dr. Rizzo era, me lembro que aos sábados ele sempre fazia o percurso de barco, da Ribeira até Plataforma, um bairro com moradores pobres, e lá atendia de graça àquela população. Levava medicamentos, amostras grátis, e assim fazia sua jornada quase em silêncio. Só sabíamos nós, seus filhos, sua esposa e talvez algum amigo muito próximo. Não sei se cobrava nem mesmo dos que tinham mais condições financeiras para pagar, pois atendia a muitas pessoas e suas famílias de graça, mesmo que este trabalho fosse o seu sustento. Isto eu não esqueço: meu pai era um homem muito generoso. Algum tempo bem mais tarde, quando ele já havia falecido e eu já estava ensinando na Universidade Federal, uma funcionaria se aproximou de mim e disse: "Antonieta, conheci seu pai, Dr. Rizzo, ele foi a pessoa mais generosa que já conheci. Queria lhe dizer isso." Fiquei muito feliz naquele momento e agradeci a ela por ter sido tão sincera. Outras pessoas conheci, neste mesmo ambiente de trabalho, e todas elas falaram do mesmo modo de meu pai.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

DR. RIZZO: MEU PAI




MEU PAI, DR.RIZZO

O tempo, este mesmo que nos ajuda a apagar as dores do sofrimento, que nos permite esquecer os momentos difíceis de um tempo distante, ele também retira de nós as lembranças felizes que gostaríamos de manter para sempre acesas em nossa mente. Ainda bem que podemos contar com com os fragmentos que talvez nunca se apaguem; que sigam conosco até o fim de nossa vida. Podemos também nos valer, em alguns instantes, das fotos guardadas, talvez esmaecidas, mas que nos permitem juntar pedaços e formar uma lembrança mais consistente. Estou dizendo tais palavras na tentativa de justificar, talvez para mim mesma, a descrição que passo a fazer agora. Não tenho muitos dados concretos, como disse, em algumas situações um papel amarelado pelo tempo e algumas palavras escritas. Uma receita de bolo, de pudim com calda de ameixa de D. Rafaella, minha madrinha. Uma prescrição de medicamento, um bloco de notas do consultório médico do Empório Industrial do Norte ou algumas fotos que selecionei e pensei em compor um grande álbum de recordações inestimáveis. Ele era um homem aparentemente calmo, sem muitas palavras. Gostava de ler e tinha sempre embaixo do travesseiro algum livro ou revista médica: Rassegna Médica, Ciências Físicas e Biológicas, Matemática. Sim, ele era assim mesmo, um polivalente. Não somente naquilo que lia, mas no que ensinava ou no que fazia. Alfabetizou os tres filhos e lhes ministrou todo o conteúdo do então Ensino Primário, até o curso de Admissão ao Ginásio. Dava aulas à noite para algumas crianças ou adolescentes, conhecidos do seu convívio no trabalho, no desempenho da profissão que exercia de médico que era. Em casa, sempre tinha algo a fazer: uma macarronada no domingo, quando ele mesmo fazia a massa do macarrão. Pintar as paredes da casa, consertar torneiras ou vazamentos, lixar e pintar os tacos do chão da casa que formavam desenhos geométricos em preto e amarelo claro. Preparava a madeira recortada, invernizava, para construir móveis: mesas, caixa para a vitrola e outros objetos mais. Era sempre assim que eu via meu pai: um homem de pijamas, de meias nos pés, com um leve sorriso no rosto. Movimenta-se do quarto em que dormia para o quarto onde guardava inúmeros objetos: Muitos livros, material de vidro de laboratório, pois tinha a intenção de abrir uma farmácia com um seu amigo que, pelo que pude entender com meus recursos de criança observadora, não lhe foi tão amigo assim. Mas naquele quarto, aquele misterioso e enorme quarto aos meus ollhos, eram guardadas receitas, fórmulas, balança de precisão (que ainda trago comigo) micróscópio, lâminas, lamínulas, tubos de ensaio aos montes, estantes com uma diversidade enorme de material com diferentes finalidades. Era ali também, naquele espaço, que escondia de mim as geringonças que eu gostava de fazer como por exemplo carrinho de rolimã, ganchos para conduzir uma roda de metal, brinquedo muito usado pelos meninos da rua em que morávamos. Sem contar com as inúmeras pipas (caxalebu) que eu mesma construia para elevar aos céus quando conseguia pular o muro, ganhar a rua e me confundir com os meninos que minha mãe chamava de "moleques" em tom pejorativo. Não era difícil encontrar meu pai, Dr. Rizzo, sempre com uma máquina fotográfica na mão. Registrava sempre os momentos especiais da nossa infancia, mas tampém momentos do nosso cotidiano. Ele gostava muito mesmo de fotografar e de filmar, pois tinha uma filmadora, 16 mm, para a qual estava sempre indo à "cidade" (comércio) para comprar peças ou mesmo filme. Nos acostumamos a ver nossas fotos sempre privilegiando locais agradáveis da casa, onde passávamos a maior parte do nosso tempo em família. Frequentemente à noite, mesmo durante os dias de semana, ele projetava filmes que ele mesmo produzia ou filmes de "Cawboy" que adqueria em lojas de material fotográfico. Sempre convidava algumas pessoas mais próximas, vizinhos, ou crianças da nossa idade e do nosso convívio, para nos acompanhar naquelas noites de cinema ao ar livre, quando não estava chovendo.

Também me acostumei a ouvir músicas italianas, ou valsas e música clássica (algumas selecionadas) dos discos 78 rotações que ele colecionava. Era sempre muito prazeiroso ouvir aquelas canções, em sua maior parte românticas (Vicente Celestino) e valsas Vienenses que ele gostava de ouvir. Meu pai foi realmente um homem muito especial mesmo, uma pessoa com uma certa expressão de silêncio na face, mas que realizava muitas coisas que somente pessoas de bem com a vida, muito criativas e competentes, poderiam fazer. Unia seu lado profissional e de pai com muita coerencia e dedicação, mas não demonstrava esforço ou cansaço, não pelo menos na fase de minha infância e nos primeiros anos de minha adolescencia.


Rosa e Augusta suas duas filhas.

 

Rosa: pequena em casa na gangorra.

AOS RESPONSÁVEIS PELO SERVIÇO DE CASTRAÇÃO DE ANIMAIS DE RUA.

O homem, ser humano, macho ou fêmea, continua se comportando como dono da Natureza, não respeitando suas Leis. Esta ideia de que a castração em massa de animais de rua irá resolver o problema do abandono é no mínimo discutível. É preciso pensar antes de tudo que a questão envolve aspectos éticos e que nem todos estão preparados para observá-los. Parece que cães e gatos se transformaram, no momento atual, em moeda de troca e que o procedimento envolve mais dados estatísticos que de natureza solidaria. Os grupos que trabalham nesta área, precisam estar atentos ao tratamento que é dispensado aos animais que vão para a castração. Aspectos mínimos de cuidados com a saúde dos mesmos não estão sendo observados. Parece ter mais importância o cumprimento de um "calendário", de utilização de uma "guia" do que mesmo de como se acham esses pobres animais (em termos de saúde física) que além do sofrimento pelos maus tratos na rua, vão padecer pelo resultado de um trabalho aligeirado e pouco cuidadoso. Já pude, pelo menos trés vezes, observar, em uma mesma clínica veterinária aqui de Salvador bastante falada numa rádio local, que o serviço prestado foi de baixa qualidade o que levou em um dos casos, à castração de uma gata que estava prenhe e em outros dois casos à morte dos animais. Parece que esta busca por resultados estatísticos está deixando de considerar elementos relevantes no que diz respeito à vida: o respeito e a ética. É preciso respeitar os animais no direito que lhes é dado pela Natureza. Tirá-los da rua, do sofrimento, protegê-los e alimenta-los é algo que nos cabe. Porém, em se tratando do controle de população é preciso que se tenha em mente os princípios básicos de sobrevivência das espécies, de equilíbrio das cadeias alimentares , de respeito à vida e sobretudo da consciência de que não somos Deuses. Para que uma ação como esta não venha a se tornar mais um martírio nas vidas desses animais, as instituições envolvidas devem estar credenciadas não só do ponto de vista formal, mas também de qualificação de pessoal, devem ser acompanhadas e avaliadas no tratamento que estão dispensando aos animais de rua, porque para estes não fará diferença morrer na rua ou vítima de um atendimento negligenciado, deixando ainda para quem os levou até lá a culpa por tê-lo feito. Estou realmente indignada.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014





GATOS DE TODAS AS CORES DE TODAS AS RAÇAS.


Há mais ou menos oito anos iniciou-se aqui no STIEP uma família de gatos, pois, alguém trouxe um ou dois e, dizendo que eram de sua propriedade, deixou-os na rua. Passavam fome, frio, desabrigo, desconforto, solidão, maus tratos. Algumas pessoas do bem, começaram a se incomodar com a situação e buscaram, individualmente, fazer algo, o mínimo que fosse,para amenizar o sofrimento destes animais tão gentis e tão maltratados por seu"dono". Aos poucos fomos nos encontrando por acaso, nos momentos em que íamos alimentá-los. Resolvemos então, depois de alguns encontros casuais, verificar a situação e descobrimos onde morava seu dono, o veterinário B. Por várias vezes fomos até sua residência e falamos sobre a situação dos gatinhos que estavam crescendo e prestes a reproduzirem-se. Em princípio ele nos tranquilizou, nos falou que iria castrar as fêmeas em pouco tempo. Continuamos nosso trabalho de observação, proteção e alimentação destes animais. É claro e óbvio o que aconteceu neste tempo de lá para hoje: os gatos reproduziram-se, a população aumentou muito e as situações de risco se multiplicaram, sendo que o mais terrível é a postura de vários moradores que já providenciaram soluções para este"problema": matar com veneno, colocá-los em sacos e jogar na Avenida Paralela, (para que?) além de outras maldades mais. Por isso estamos aqui novamente, depois de várias tentativas de, junto a alguns grupos formais, levar muitos deles para castrar a duras penas pois, não temos material nem métodos adequados para captura e cuidados posteriores com estes animais , dignos de todo nosso respeito e cuidado. Mesmo assim, fomos à luta e conseguimos castrar muitos deles, administrar medicamentos em nossas casas e só então devolvê-los ao seu "habitat" improvisado: as ruas. Algumas de nós assumiram os bichanos, eu já estou com cinco aqui em casa e mais uma cadela que socorri também aqui no STIEP. Neste momento, clamamos por ajuda de quem realmente não apenas fale ou prometa, mas que faça algo de concreto por esta comunidade de gatos do CONDOMÍNIO COSTA DO ATLÂNTICO, no STIEP, onde vários moradores elegeram vereadores que nos prometeram cooperação na superação de tais dificuldades. Não basta apenas alimentar estes animais, eles precisam de vacinas, vermifugação, castração, cuidados pós-operatórios e clínicas que realmente assumam uma castração responsável. Este manifesto é fruto de uma reunião que fizemos ontem,02/08/2013, aqui no STIEP: Antonieta, Meire, Italva, amigas incondicionais de todos os animais e de todas as formas de vida.



Cinco de setembro de 1968.
Naquele final do dia 04 de setembro de 1968, terminava uma longa , cansativa e sofrida aula de Genética e todos os estudantes de Biologia saiam às pressas em busca do retorno aos seus lares. Em meio a todos eles, uma jovem com os seus poucos anos de juventude, carregava sua barriga, bem grande e pesada, em busca de pegar um ônibus que logo passaria por ali. Em algum tempo de espera chegou o transporte que a levaria rumo a uma pequena residência, nada que fosse aquilo que havia sonhado para a sua vida de mulher casada e à espera de um filho que já amava desde sempre. O ônibus estava lotado, cheio até a porta dos fundos por onde entrou e não conseguiu passar, ali ficando por muito tempo com o veículo já em movimento até que pudesse, com muito esforço e dificuldade , chegar um pouco mais adiante para sair da região de perigo. Aquele momento durou uma eternidade, pois o trânsito era lento no final da tarde quando o relógio batia a hora do Ângelus. Durante o trajeto, em meio a tantos pensamentos que lhe enchiam a mente, procurou aos poucos passar entre tantos passageiros e chegar até a porta da frente do veículo para que não passasse do ponto onde deveria descer. Do ponto final até em casa uma boa caminhada que as pernas finas reclamavam do cansaço do dia pesado de aulas. Ao chegar a seu destino uma velha senhora lhe abriu a porta e exclamou:

_” Rosa!!!  Está quase na hora, você está bem?”

_  Não, me sinto muito cansada e minha barriga doi.

_” melhor então colocar uma bolsa de agua quente para relaxar.”

Não houve tempo, pois uma grande quantidade de líquido quente lhe desceu pelas pernas molhando o chão da sala. Dali em diante uma grande correria para chegar ao hospital e esperar o seu rebento vir ao mundo. Não sabia ela, nem podia imaginar , a noite que iria passar. Na sala de exames, um entra e sai de médicos e enfermeiras, do SUS, que jamais diziam quanto tempo iria durar aquela dor insuportável.

_ “sua sorte chegou, ele vai entrar para o plantão, o Dr. Assis Valente, dê graças a Deus” e saiu da sala. Dali em diante, quase não registrei mais nada pois estava muito cansada daquela noite estranha que havia passado sentindo apenas que as coisas não estavam tão bem e que muitas manobras foram feitas por aquele competente médico para que meu filho tão querido, amado e esperado viesse enfim ao mundo. Só voltei a encontrar este homem que salvou a minha vida e a do meu primeiro filho, muitos anos depois quando pude agradecer por ser ele um homem tão ético responsável e competente, mesmo sendo tão jovem como era naquele ano de 1968. Hoje, cinco de setembro de 2010, quero desejar ao meu primeiro filho que hoje aniversaria, um mundo de paz, satisfação pessoal e que ele seja sempre um homem justo, honesto e solidário. Um grande abraço João Gualberto Rizzo Araújo de sua mãe que te escolheu para ser seu filho e agradece a Deus por ter permitido e viabilizado a sua escolha. FELIZ ANIVERSÁRIO TINO, SEJA FELIZ HOJE E SEMPRE.

Salvador, 05 de setembro de 2010.

Antonieta Maria Rizzo.